Crises, insight e questionamentos – O processo de criação do documentário “Jornaleiros”

17/11/2009

Pensar em um trabalho de conclusão de curso foi, antes de tudo, me defrontar mais uma vez com perguntas primárias, simples, mas que geram uma avalanche de questionamentos.

Porque estou aqui? De onde eu vim? Para onde vou? São indagações que, não raramente, pousam na minha cabeça, nessa busca existencialista constante e que tem a finalidade de dar um sentido profundo a minha participação nesse grande jogo que é a vida.

Como jornalista talvez a primeira pergunta nessa vertente foi: informação ou conhecimento? Claro que, em tempos de muita informação e escasso conhecimento decidi, pela complexidade, partir à procura de outra questão que satisfizesse essas exigências pessoais.

Foi assim que, no meu desespero introspectivo, caminhando pelo espaço arborizado da TV Cultura, último local que me acolheu como estagiário, fui surpreendido com o vôo rasante de um pássaro munido de matéria orgânica fecal, que por centímetros não sujou minha camiseta.

A raiva e mesmo o alivio só foram amenizados quando cumprimentei, logo em seguida, dois funcionários do jardim, que transportavam um carrinho com algo mal cheiroso, que logo conclui o que era: adubo orgânico.

Eureka!!! Um insight cotidiano onde finalmente encontrei a pergunta chave para o meu tcc. Qualquer um de nós pode produzir matéria orgânica, até os animais. Mas quem é capaz de transformar matéria em conteúdo? Dar utilidade social a algo natural? Melhor, como fazer das fezes, item essencial para o enriquecimento da terra?

Nós, seres humanos, pensantes, somos capazes de tudo isso. Podemos ser verdadeiros protagonistas da mudança da sociedade… Pro bem e pro mal.

Mas o que o meu tcc tem a ver com isso?.

Há tempos venho sofrendo muito para encontrar uma linha, um fio que pudesse realmente transformar em conteúdo, todas as doze horas de material gravado que fiz durante os últimos seis meses.

Trabalhando em diversas empresas de comunicação, mesmo na grande imprensa, percebo uma ausência de reflexão sobre a necessidade de transformar os fatos do cotidiano em algo edificador e por que não, transgressor dessa realidade esquizofrênica.

Discursos que apontam a velocidade, a falta de tempo e incriminam as Novas Mídias servem de desculpas, mesmo que parcialmente plausíveis, para o descomprometimento e a redenção dos profissionais na pratica diária de seus trabalhos.

Claro… criticar é fácil. Mas quando você se vê diante da necessidade de tomar decisões no que diz respeito a isso, não tendo capacidade técnica e muito menos amadurecimento profissional, entende-se rapidamente que, concretamente, o fazer jornalismo no mundo atual precisa de novas perguntas e, claro, novas respostas.

Escolhi para o meu documentário quatro personagens, quatro jovens que, como eu, não têm essas respostas e talvez nem mesmo a esperança concreta de que uma mudança “alla grande” é possível, mas eles precisam ser ouvidos.

Não porque supostamente representam um perfil dos profissionais que começarão sua vida profissional, nem mesmo porque são portadores de uma mensagem inovadora, discursos novos, não é nada disso, mas simplesmente pelo exercício que, nem estudantes, nem profissionais e nem formadores da área de comunicação estão acostumados a fazer: OUVIR.

Mas também os formadores precisam pontuar algumas coisas, precisam enriquecer a discussão com a experiência, a vivencia e a sabedoria que só o tempo é capaz de encarnar. Precisa existir um relacionamento intenso entre formadores e formandos, realidade e utopia.

Está sendo repensado o currículo dos estudantes de jornalismo, mas existe pouca discussão e participação dos principais interessados. O diploma não é mais exigido e ninguém parou para pensar no que isso significa para aqueles que estão se formando. Existe uma grande frustração dos estudantes de jornalismo que saem da faculdade, mas e daí? Ninguém se olha, se ouve, se interessa pelas diferentes vozes que devem soar em uníssono para que a “orquestra encontre sintonia”, para que se possa começar a construir o tal novo jornalismo.

Porque um jovem escolhe o jornalismo hoje, em uma sociedade sem projetos e perspectivas? O que imaginam os professores sobre isso? Para que serve o jornalismo para esses futuros profissionais? O que motiva esses alunos segundo seus formadores? Qual o papel da formação que tiveram? Jornalistas ou jornaleiros?

O documentário não foi concluído, ainda existe muita matéria orgânica a ser descartada, mas a perspectiva é boa, pois existe uma exigência interior de transformá-la em algo que sirva.


NEW VIDEO – Apresentação 4 – Natalia Pesciotta

05/11/2009

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Organograma JORNALEIROS!

02/11/2009

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NEW VIDEO – Apresentação 3 – Thiago Borges

29/10/2009

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NEW VIDEO – Apresentação 2 – Nicole Melhado

29/10/2009

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NEW VIDEO – Apresentação 1 – Daniel Fassa

29/10/2009

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Alegoria da caverna de Platão no mundo da pseudo informação

18/10/2009
  1. Amigo Glauco, imagine os jornalistas em suas redações, diante de seus computadores, em grandes salas fechadas, sem janelas e por isso, privados do vento e da luz do sol. Ali eles podem navegar pelo universo virtual para apurar suas notícias, acessar sites de todas as partes do mundo, entrar em contato com comunidades e sites de relacionamento.
  2. Sim, consigo imaginar tudo isso.
  1. Tantos os vídeos, quanto as fotos, os mensageiros instantâneos, tornam tudo muito próximo do real aos olhos desses observadores do mundo.
  2. Interessante, mas, de certa forma, algo bem normal.
  1. Eu sei. Eles são jornalistas como nós. Mas diga-me, olhando o mundo desse jeito, eles não acabam visualizando uma pseudo-realidade?
  2. Eu acho que não, pois eles nunca entraram em contato com a realidade de outra maneira.
  1. Claro, mas em relação aos fenômenos da natureza como frio, calor, umidade…? Não terão só uma noção pobre por meio de computadores?
  2. Sim
  1. E em relação aos vídeos… se neles fossem mostrados também os bastidores, o modo como são feitos, não acreditariam que tudo aquilo que vêem é ainda mais real?
  2. Claro que sim
  1. Duvidariam de que aquilo que acontece além do que podem ver pelo computador seja muito diferente?
  2. Necessariamente
  1. Ok. Então o que será que aconteceria se, um certo dia, um desses repórteres fosse escalado para sair da redação e apurar os seus fatos no mundo real. Não se sentiria perdido e incapaz de lidar com essa realidade pela falta dessas ferramentas tecnológicas? O que você acha que ele responderia se alguém dissesse a ele que as apurações IN VITRO eram limitadas, pobres, inertes, fazendo-o ver que a realidade é muito mais viva do que reproduções tecnológicas mediadas da internet? Você não acha que ele ficaria confuso em relação ao que ele achava real e o que realmente é?
  2. Sem dúvida nenhuma.
  1. Obrigado a lidar com as complexidades e paradoxos , o repórter não procuraria buscar legitimação apoiada nas informações tecnológicas? Não questionaria à importância daquilo que todos vêem com a riqueza de fontes que uma apuração virtual proporciona?
  2. Certamente
  1. Não acabaria precisando de tempo para entender que a apuração no mundo real parte da experiência sensorial, da imersão profunda nas diferentes realidades sociais?
  2. Não há duvida.
  1. Teria que primeiro entender que algumas percepções da realidade precisam ser desenvolvidas com o auxílio dos outros sentidos, além a visão.
  2. Sim, claro.
  1. Entendendo que o mundo além da redação carrega uma série de aspectos que enriquecem a produção da informação, não sentiria pena dos seus colegas que passam horas apurando, ou mesmo cozinhando, as notícias de outros meios?
  2. Certamente.
  1. Se o dono do jornal o pedisse para voltar a apurar da redação, não faria de tudo para não voltar a vida de antes?
  2. Claro
  1. Contudo, se mesmo assim fosse obrigado a voltar, não sentiria um vazio existencial tremendo?
  2. Acredito que sim
  1. Porém, se ele tentasse condenar aquele tipo de apuração aos seus colegas que permaneceram na redação, não ririam da cara dele e diriam que se ele tentasse mudar aquelas regras acabaria sendo demitido?
  2. Com certeza diriam isso.
  1. Pois então, amigo Glauco, dessa forma você poderá entender a importância da formação desses nossos colegas jornalistas. Eles precisam ter noção do que é realidade e o que é simplesmente representação vazia de sentido, assim não aceitarão trabalhar nas condições atuais e procurarão mostrar que por meio das palavras é possível sim transformar a sociedade, começando com a própria vida.

As sombras da vida (Mito da Caverna de Platão)

16/10/2009


Manifesto anti tecnocrata

14/10/2009

Saiam da minha frente, malditos tecnocratas de plantão

Notícia tem vida, tem alma, não é commodity

E mesmo se vocês defendem o formato pré-estabelecido

Um módulo que precisa ser seguido.

Continuo acreditando que o conhecimento não é investimento perdido.

 

Aprende-se NA PRÁTICA a obedecer ao Sistema

A nunca transgredir regras

A aceitar o dado como imutável

A entrar no “esquema”

 

Enquanto se poderia criar o novo

Estar aberto para ouvir o outro

O que exigiria um pequeno ato de humildade

Pouco comum a quem teve o conhecimento consolidado com o passar da idade

 

Fiquem longe de mim, insuportáveis tecnocratas de plantão

Para que a “notícia que transforma” saia da terapia intensiva

E que o conhecimento profundo passe a ter utilidade

Para que valha a pena passar quatro anos divagando na universidade.


Entrevista com o Prof. Silvio Mieli

14/10/2009

Hoje fiz um replay da entrevista com o professor de comunicação da PUC Silvio Mieli.

(Acabei perdendo a entrevista passada porquê não dei muita atenção para o aspecto técnico, fato que resultou em um depoimento cheio de falhas no audio)

Contraposto escancarado das idéias em relação aos estudantes de jornalismo do professor José Salvador Faro, Mieli define o jornalista como alguém capaz de dialogar com as diversas ciências, medias e tecnologias.

Alguns questionamentos já me levaram a um pensamento mais objetivo e visual do documentário que planejo começar a edição neste final de semana. As buscas profundas por respostas concretas do significado da formação específica do jornalista têm me levado a entender a importância da procurar dar (ou encontrar) sentido à informação e, principalmente, refletir no quão transformadora (em pequena ou larga escala) ela é (ou pode ser).

Na próxima semana entrevistarei a estudante da PUC, Natalia Pesciotta, última personagem e o professor José Marques de Mello, responsável pela revisão do curso de jornalismo no Ministério da Educação.